Visitar o serviço de saúde e fazer os exames periódicos são estratégias importantes contra o câncer de mama e de colo de útero. Os exames ocupam respectivamente o primeiro e o segundo lugar entre as neoplasias de maior incidência entre as mulheres, além de serem a primeira e a sexta causa de óbito entre esse público.
Recursos eficazes contra os tumores, consultas e exames preventivos são gratuitos e rápidos e podem ser conseguidos a partir das unidades de saúde da Prefeitura, que quer ampliar o número atual de diagnósticos.
Dos 1,8 milhão de curitibanos, 952.823 são mulheres e, destas, perto de 70% são usuárias do serviço público de saúde. Por isso, a intenção da Secretaria é superar os cerca 120 mil exames anuais de câncer de colo de útero e de 84 mil mamografias realizadas no período a partir das unidades de saúde.
"Podemos atender mais mulheres e temos nos esforçado para isso", observa a coordenadora do Programa de atenção à saúde feminina Mulher Curitibana, Rosilei Antonievcz.
Esse esforço inclui convites pessoais - entregues na casa das mulheres a partir de 50 anos e na época do aniversário de cada uma delas - para que compareçam às unidades de saúde. O objetivo é agendar a mamografia, colher o preventivo do câncer de colo de útero, avaliar pressão arterial e glicemia e verificar se é o caso de requisição de outros exames.
Na oportunidade, as pacientes também são incentivadas a praticar atividades físicas e adotar uma dieta equilibrada - condutas auxiliares não só na prevenção dessas doenças como também na melhoria do estado geral de saúde e qualidade de vida.
Para quem tem dificuldade de ir até as unidades de saúde nos dias de semana por causa da jornada de trabalho, é comum abri-las aos sábados exclusivamente para essa finalidade.
Exemplo - A operadora de caixa Maria de Fátima Vieira, de 21 anos, está entre as mulheres que visitam o serviço de saúde todo ano. Mãe de um menino de 3 anos, ela adquiriu o hábito de se manter em dia com o preventivo de câncer de colo de útero a partir das orientações recebidas durante o pré-natal, feito na Unidade Mãe Curitibana. "Trago sempre o Christopher no pediatra, mas não esqueço da minha saúde", diz.
Como os dois primeiros preventivos de colo de útero mostraram que Maria de Fátima é saudável, ela foi orientada a repeti-lo a cada dois anos. Ainda assim, vai ao serviço de saúde uma vez por ano para fazer o exame clínico das mamas.
Jovem e fora do grupo de risco para câncer de mama, Maria de Fátima ainda não precisa fazer mamografia. Esse exame é requisitado para as mulheres de baixo risco para a doença que tenham 50 anos ou mais, faixa em que a incidência é maior. Já as mulheres mais jovens pertencentes a grupos de risco ou que tenham indicação médica para fazer a mamografia também têm acesso ao exame.
Cenário - Esses cuidados são necessários porque o acompanhamento feito pelo Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde registrou 166 óbitos por câncer de mama e 54 por câncer de colo de útero em 2008. Isso equivale a taxas de mortalidade iguais a 17,4 por 100 mil mulheres para o primeiro tipo da doença e de 5,7 por 100 mil para o segundo.
As taxas de incidência, porém, são bem maiores que as de mortalidade: 69,7 por 100 mil para o câncer de mama e 17,6 por 100 mil para o de colo de útero. Essa diferença indica o quanto a prevenção é importante para impedir a evolução daquelas neoplasias.
"Quanto mais mulheres conscientes da importância do diagnóstico precoce, menores serão as vidas perdidas para essas doenças", observa a coordenadora do Mulher Curitibana. "O que não pode é esperar o sintoma de que algo não está bem para correr no médico. Aí pode ser tarde", completa, referindo-se à ocorrência de nódulos nas mamas ou sangramentos vaginais.
SAIBA MAIS
Fatores de risco
Todas as mulheres precisam estar em dia com os exames para detecção precoce das neoplasias de mama e de colo de útero. Se elas estão expostas a fatores de risco, isso se faz ainda mais necessário.
Principais fatores predisponentes ao câncer de mama:
- obesidade
- alimentação rica em gorduras
- fator hereditário (ter mãe ou irmã que desenvolveu a doença)
- nunca ter engravidado ou tido a primeira gestação partir dos 30 anos
- fumar
- ter tido a primeira menstruação antes dos 11 anos e a última depois dos 55 anos. Quanto maior o tempo de exposição aos hormônios femininos, maiores as chances de desenvolver a doença.
Fatores predisponentes ao câncer de colo de útero:
- grande número de filhos
- tabagismo
- início precoce da vida sexual
- multiplicidade de parceiros
- falta de uso de preservativo nas relações sexuais. Favorece a contaminação pelo vírus HPV.